Roteiro pelo Alasca

Anchorage e mais 7 noites em um cruzeiro

Alasca, nos Estados Unidos, é daqueles destinos que todo mundo pensa em ir um dia, mas sempre acaba adianto, talvez pelo frio, ou pela dúvida de roteiro ou até mesmo por não ter tanta informação turística como outros destinos no país.

Uma boa opção para quem quer conhecer várias cidades do estado é fazer um cruzeiro marítimo e desfrutar só do “filé” que o lugar tem a oferecer.

Além disso, é uma forma barata de conhecer o destino, considerado exótico para nós, mas muito comum para os americanos (se o preço é justo para nós, para eles é uma pechincha).

|Por que o Alasca?

O Alasca é o 490º estado do país e famoso por ser a “última fronteira”. Isso porque na parte norte e ocidental, os Estados Unidos estão separados da Ásia pelo Estreito de Bering e a distância entre América e Ásia é de apenas 82 km. O arquipélago das Aleutas, no Alasca, inclusive, quase forma uma ponte entre esses continentes.

O Alasca não está diretamente ligado ao corpo do país, assim como o Havaí, e é um dos 50 estados com maior extensão territorial.

Por lá os cenários são inexplicáveis. Não tem texto algum que descreva os lugares melhor do que fotos. O Alasca é um estado imponente, com natureza exuberante, ladeado por geleiras e uma rica vida selvagem. Apesar disso tudo, também abriga vielas pequenas, charmosas e com povo caloroso.

É o destino perfeito para ficar cara a cara com ursos, orcas, belugas, golfinhos, salmão, alces (ok, esse não vimos, mas tem muito) e baleias jubartes. Mistura vulcões com lagos e montanhas, além de ser casa do maior parque nacional e da maior floresta dos Estados Unidos.

Sim, mesmo no verão, faz frio. Não é nada insuportável, mas provavelmente você não vai tirar da mala aquela roupa fresquinha que você levou para “último caso”.

Assista ao vídeo da nossa viagem abaixo. Aproveita e se inscreve no nosso canal do Youtube!

|O cruzeiro

Como o cruzeiro sai de Seward e não existem voos para a cidade, vale chegar em Anchorage, a maior cidade do estado, e dedicar ao menos 2 noites por lá antes de partir para o porto. É nessa cidade onde vive 40% da população do estado.

O roteiro que fizemos é “one way”. Ou seja, sai de Seward e termina em Vancouver, no Canadá. Existem opções de “round trip”, mas com menos noites e visitando menos lugares.

Vista do navio para Hubbard Glacier (Foto: Trip to Follow)

Vista do navio para Hubbard Glacier (Foto: Trip to Follow)

Uma das vantagens de fazer um cruzeiro é que você não tem que se preocupar com nada além de curtir suas férias. Todas as refeições estão incluídas e, se você preferir, pode fechar um pacote antecipado de bebidas. Se você não beber, fique tranquilo porque na maioria dos cruzeiros chá, água, limonada e café já estão no pacote.

Além disso, seu hotel é o navio e você não precisa procurar um lugar para dormir em cada cidade que passar. Isso sem contar as outras dezenas de benefícios que um navio oferece como piscinas, SPAs, quadras de esportes, cassinos, espetáculos etc.

Outra vantagem é a facilidade de ver com os próprios olhos lugares inóspitos ou chegar em destinos onde o acesso é mais complicado. Alguns lugares, como a própria capital, Juneau, é impossível chegar de carro, só por ar ou por mar.

Navio no porto de Skagway (Foto: Trip to Follow)

Navio no porto de Skagway (Foto: Trip to Follow)

|Quando ir?

Se você está convencido a fazer um cruzeiro, precisa ir no verão. Nessa época cerca de 40 cruzeiros de turismo cortam as águas geladas e passam pelas mais belas paisagens da região. As rotas acontecem entre maio e setembro.

Como já havíamos falado, mesmo no inverno as temperaturas não são muito altas. Claro que você pode dar sorte e pegar algo como 25º, mas convenhamos, já que estamos no Alasca, vamos torcer pelas temperaturas mais baixas, né?

Chegamos a pegar cerca de 5º de mínima e aproximadamente 17º de máxima. O lado bom é que os dias são longuíssimos, com até 19 horas de sol, o que é um benefício para quem quer mais tempo para conhecer as cidades (na maioria dos pontos o navio deixa o porto por volta das 21h).

As chuvas são bem distribuídas durante o ano, então não dá para prever. Nós pegamos em dois dias, mas foram pingos rápidos e de poucos minutos.

Caiaque em Icy Strai Point (Foto: Trip To Follow)

Caiaque em Icy Strai Point (Foto: Trip To Follow)

Apesar de tudo isso, se sua ideia é ver a Aurora Boreal, mude os planos e vá para o Alasca no inverno, onde as chances do fenômeno acontecer são muito maiores. Mas lembre-se que no inverno não é possível fazer um cruzeiro e as temperaturas são MUITO mais baixas!

Para que você tenha uma ideia de preço, uma cabine interna em um navio da Royal Caribbean (o que fomos), custa aproximadamente R$ 12 mil para 4 pessoas, cerca de R$ 3 mil por pessoa. Claro que esse valor varia de cabine para cabine (tem opção de cabine com janela e com varanda) e de navio para navio.

|Os passeios

O próprio navio oferece uma gama gigante de opções de passeios que você pode fazer em cada parada. São aproximadamente 20 sugestões de passeios diferentes dos mais variados preços.

E se a pergunta for: “são caros?”, a resposta é: “sim”. Especialmente com a alta do dólar. Tudo depende do lugar e do passeio, mas no geral, eles variam entre US$ 39 e US$ 1119 (esse último inclui passeio de helicóptero).

Se você preferir não fechar com o navio, muito provavelmente vai encontrar preços muito mais atrativos com agências que ficam à disposição dos turistas perto dos portos em cada cidade. É uma opção.

O único risco é você perder o horário de embarque e “ficar para trás“ em algum dos portos. Se você reserva um passeio diretamente pelo navio, a volta à bordo é garantida. Caso contrário, você tem que arcar com as consequências (e os custos… aposte, são altíssimos!).

Se o tempo no porto for longo e o horário de embarque for tarde, vale a pena arriscar. A maioria das empresas que faz esses passeios está acostumada com o schedule dos cruzeiros, o que nos deixa mais tranquilos. Nós fizemos um “por fora” em Juneau e deu tudo certo.

Trem em Skagway (Foto: Trip to Follow)

Trem em Skagway (Foto: Trip to Follow)

|Roteiro

O roteiro é baseado nos passeios que escolhemos fazer por lá. Como já falamos, o cruzeiro oferece uma infinidade de passeios para todos gostos e bolsos. Assim que você embarca, você passa a ter acesso a um livreto com todas as excursões oferecidas. Se você for fechar pelo navio, basta escolher as que você quer, se dirigir ao balcão de Shore Excursios e fazer a reserva.

Caso não vá fechar com o navio, também já tem como ter uma noção do que você vai encontrar em cada cidade que a embarcação para.

Agora, se você não quiser pagar por algum passeio, é possível descer nos portos e explorar as cidades caminhando. Conclusão: dá para ir e não gostar nada além do preço do cruzeiro. Mas, claro, você vai perder atrações que vão deixar a viagem para o Alasca ainda mais inesquecível.

Vista do navio cruzando o mar do Alasca (Foto: Trip to Follow)

Vista do navio cruzando o mar do Alasca (Foto: Trip to Follow)

Fizemos o cruzeiro no final de agosto de 2018. Veja abaixo as nossas escolhas:

|Dias 1 e 2 – Anchorage 

Chegamos em Anchorage após passarmos alguns dias em Chicago. Ficar em alguma cidade dos EUA antes de partir para o Alasca é uma boa opção. Pegamos um carro logo no aeroporto e partimos para nossa aventura. O preço do carro para 3 dias, pegando em uma cidade e deixando em outra (Anchorage – Seward), sai aproximadamente US$ 177.

É bem fácil e tranquilo andar de carro por Anchorage, a maior cidade do Alasca. Só é necessária atenção redobrada, já que alces e ursos costumam cruzar estradas (e, sim, até as ruas “normais”) em qualquer época do ano.

Nosso carro no Alasca (Foto: Trip To Follow)

Nosso carro no Alasca (Foto: Trip To Follow)

É em Anchorage onde vive metade da população do Alasca, aproximadamente 350 mil pessoas. Mas não espere encontrar, de fato, uma cidade grande. Ela tem uma avenida principal, onde ficam os restaurantes, um shopping e lojinhas, e tem alguns poucos prédios. Há hotéis luxuosos, mas também opções mais simples, para todos os bolsos.

A cidade é linda, rodeada por montanhas e tem um centrinho típico de cidades pequenas. Vale a pena separar uma noite para caminhar por lá e jantar em um dos restaurantes da 5ª ou 6ª Avenida.

Anchorage não fica muito distante de Seward, cidade de onde saem os cruzeiros marítimos. São 204 quilômetros aproximadamente, cerca de 2h20 se você não parar no caminho. Por isso é interessante ficar em Anchorage mais de um dia. Assim você consegue dividir as atrações e consegue curtir o caminho com calma antes de embarcar no navio.

Onde ficar?

Para sentir a atmosfera do lugar, optamos por ficar em uma casa charmosa do Airbnb. Ela ficava consideravelmente perto das ruas principais e era um charme. Essa opção financeiramente vale muito a pena (cerca de R$ 1700 por 2 noites e acomoda 4 pessoas + 1 criança).

Se você não alugar carro (tem ônibus que saem de Anchorage e vão até Seward), escolha um hotel que fique mais perto do centro e com mais fácil acesso aos pontos de transporte público.

Casa em Anchorage (Foto: Trip to Follow)

Casa em Anchorage (Foto: Trip to Follow)

O que fazer?

Potter Marsh Bird Sanctuary: É o lugar perfeito para ver (ou tentar ver) a vida selvagem. O local interliga algumas pontes no meio de um pântano e reúne aves, um rio com salmão, ponto perfeito para ursos famintos. Por lá conseguimis ver a batalha do salmão para tentar ir contra a correnteza do rio. É grátis e um passeio bonito e tranquilo.
Preço: Grátis
Endereço: Seward Hwy, Anchorage, AK 99516, EUA

Eklutna Lake: O Lago Eklutna fica certa de 50 minutos do centro de Anchorage e é o ponto perfeito para quem quer fazer atividades como caiaque ou caminhada. No verão, o nível do lago sobe por conta do descongelamento das geleiras.
Preço: Grátis

Alyeska Aerial Tram: O teleférico (se é que podemos chamar assim) fica dentro de um resort e nos leva para o alto do Mt Alyeska, que fica a cerca de 2300 pés de altura, onde, no inverno funciona uma estação de esqui. No verão é possível fazer algumas trilhas, tomar um chocolate quente e, claro, admirar a bela vista lá do alto. Lá de cima é possível avistar picos nevados e 7 glaciares, se o céu estiver aberto. Se você der sorte também pode encontrar ursos negros e alces (não foi nosso caso). Veja preços e horários.
Preço: US$25 para adultos e US$ 15 para crianças
Endereço: 1000 Arlberg Avenue

Trilha no Mt Alyeska (Foto: Trip to Follow)

Trilha no Mt Alyeska (Foto: Trip to Follow)

Alaska Wildlife Conservation Center: é o centro reabilitação para animais como raposas, alces e ursos, então é o lugar perfeito para quem quer garantir ver esses animais durante a viagem. Pode-se dizer que o local é um “zoológico do bem” que ajuda animais órfãos ou machucados. Eles são tratados e devolvidos ao habitat natural. Por lá também fica o moderno Anchorage Museum, que mostra tudo sobre a fauna e a flora da região. Veja preços e horários.
Preço: US$ 15 adultos, US$ 12 crianças, de graça para crianças menores de 6 anos.
Endereço: Mile 79 Seward Hwy, Girdwood, AK 99587, EUA

Beluga’s Point: assim que estacionamos o carro já vimos algumas baleias da espécie dando o ar da graça (era por volta das 11h). Elas ficam bem pertinho da terra nesse horário com a maré mais alta. Por lá também acontece uma pororoca, já que o mar se encontra com a água de um rio. Além disso, a linha do trem deixa o cenário ainda mais lindo e impressionante combinado com a água e as montanhas.
Preço: grátis
Endereço: 3, Mile 110, Seward Anchorage Hwy, Anchorage, AK 99516, EUA

Beluga’s Point (Foto: Trip to Follow)

Beluga’s Point (Foto: Trip to Follow)

Bird Point: é mais um ponto de observação da vida selvagem. As passarelas te levam mais uma vez para a natureza e te oferecem a oportunidade de ver muitos pássaros. Não demos muita sorte na questão animais, mas valeu a parada pelo visual em si.
Preço: grátis
Endereço: Seward Hwy, Anchorage, AK 99540, EUA

Lower Trail Lake e Moose Pass: esse lago fica na estrada que liga Anchorage a Seward e uma paradinha por lá vale a pena. É uma boa oportunidade para encontrar ursos (portanto, cuidado) e para ver locais pescando, já que é um dos lagos com maior concentração de salmão. O lago fica perto de uma das menores cidades do Alasca, Moose Pass, que tem cerca de 250 habitantes.
Preço: grátis

Moose Pass (Foto: Trip to Follow)

Moose Pass (Foto: Trip to Follow)

Dica de restaurante: se você quer provar uma culinária local, experimente comer algum prato com salmão no Froth & Forage. É um restaurante super pequeno, daqueles que te fazem se sentir em um filme e tem uma comida deliciosa.
Endereço: 27635 Seward Hwy, Anchorage, AK 99540, EUA

Restaurante Froth & Forage (Foto: Trip to Follow)

Restaurante Froth & Forage (Foto: Trip to Follow)

A estrada é cheia de pontos com visuais incríveis. Por isso, dedique tempo para fazer paradas estratégicas e ter a oportunidade de observar a natureza do Alasca com calma.

Terminamos o dia em Seward. A cidade é bem pequena, tem cerca de 3 mil habitantes, tem praticamente uma rua principal cheia de restaurantes e lojinhas e o porto. Também é possível chegar até lá de trem, saindo de Anchorage, com a companhia Alaska Railroad.

Deixamos o carro há 5 minutos do porto e embarcamos no navio por volta das 17h.

Bird Point (Foto: Trip to Follow)

Bird Point (Foto: Trip to Follow)

|Dia 3 – Hubbard Glacier

Esse primeiro dia no navio é praticamente o tempo todo de navegação. Mas no fim da tarde ele vai em direção ao Hubbard Glacier. Por lá, o navio fica cerca de 2 horas “girando” lentamente (isso mesmo, girando para que todos os passageiros consigam ver o local de todos os ângulos). Ninguém desce do navio.

Hubbard Glacier é uma geleira localizada no leste do Alasca e parte de Yukon, no Canadá. É uma das mais de 11 mil geleiras do Alasca, mas é considerada o maior glaciar de água de mar da América do Norte.

O glaciar tem cerca de 122 km de comprimento, 11 km de largura, 365 metros de profundidade e 122 metros de altura. Imponente, né? É gigante! E mesmo estando “hospedados” em um cruzeiro enorme, a proximidade da geleira impressiona.

Fique atento porque a probabilidade de você ver um desmoronamento é alta. O barulho do bloco de gelo caindo na água é inesquecível.

Navio chegando em Hubbard Glacier (Foto: Trip to Follow)

Navio chegando em Hubbard Glacier (Foto: Trip to Follow)

|Dia 4 – Juneau (9h às 20h30)

Juneau é a capital do Alasca e não é acessível de carro ou qualquer outro transporte terrestre. Por isso, para chegar lá, só de navio, ferry ou avião. Apesar de ser a capital, a cidade não tem uma densidade populacional muito grande, cerca de 31300 pessoas vivem lá. É a 3ª mais populosa do Alasca.

O navio oferece passeios como conhecer o Mendenhall Glacier, pesca de salmão e avistamento de baleias, que foi o que escolhemos. Essa é a região onde a probabilidade de encontrar os gigantes dos mares é maior.

Com essa informação em mente, tratamos de reservar o passeio por uma empresa fora do navio e com preço bem mais atrativo. Fomos com a Juneau Whale Watch e pagamos US$ 115 por pessoa para um passeio de 3 horas.

Avistamento de baleia em Juneau (Foto: Trip to Follow)

Avistamento de baleia em Juneau (Foto: Trip to Follow)

O ônibus sai de uma estação ao lado do porto, no centro da cidade, e nos leva durante 25 minutos por uma paisagem pitoresca do sudeste do Alasca até o porto de Auke Bay, onde embarcamos em um catamarã.

Não demorou muito para a primeira jubarte aparecer. O capitão diminui a velocidade do barco e todos os passageiros sobem para a área descoberta onde a observação é ainda melhor. Vale lembrar que a cabine interna é aquecida e com visão irrestrita. Perfeito para os mais friorentos.

Assim que a baleia segue seu rumo, o barco acelera em direção a novos encontros. Nós vimos cerca de 4 baleias e “espetáculos” quase exclusivos para os poucos passageiros que dividiam o barco com a gente.

E se você está procurando algo romântico nesse roteiro, chegamos ao momento: foi aqui que ficamos noivos, com as baleias como testemunha. Quer algo melhor?

Nosso noivado em Juneau (Foto: Trip to Follow)

Nosso noivado em Juneau (Foto: Trip to Follow)

Quando voltamos para a cidade, ainda tínhamos bastante tempo por lá, então nos dedicamos a bater perna pelo centrinho, que é recheado de lojas.

Outra opção para quem quer desembolsar mais US$ 39 é subir no Mount Roberts por um bonde aéreo. Ele leva turistas ao topo da montanha desde 1996 em apenas 6 minutos e é a opção perfeita para quem quer ver a cidade a 3819 pés de altura. Se você fizer o passeio de avistamento de baleias, terá tranquilamente tempo para subir na montanha também.

|Dia 5 – Skagway (7h às 20h)

Skagway é mais uma cidade e charmosa do Alasca, que atualmente tem cerca de mil moradores e, curiosamente, recebe cerca de meio milhão de turistas por ano (sim, é muito turista e os grandes responsáveis são os cruzeiros marítimos).

Por incrível que pareça, Skagway chegou a ser uma das maiores cidades do Alasca – com 10 mil habitantes – durante a Corrida do Ouro. Em 1986, a cidade passou a ser uma rota de passagem para os mineradores que iam se aventurar no Klondike, território canadense de Yukon.

White Pass & Yukon Route (Foto: Trip to Follow)

White Pass & Yukon Route (Foto: Trip to Follow)

Mas em 1900, quando a ferrovia que levaria até o Yukon terminou de ser construída, os mineradores já tinham deixado de procurar ouro por lá e a cidade teve uma queda no número de moradores.

Por esses motivos, não tem como ir para Skagway e não fazer ao menos um trecho do White Pass & Yukon Route, trem que tem como destino final Whitehorse, em Yukon, no Canadá. O trem funciona como atração turística desde 1988.

O próprio navio oferece vários passeios, que duram de 3h15 até 7 horas. Nós optamos por fazer um de 3h15, que custou US$ 141. O trecho é incrível, cruza paisagens cinematográficas com montanhas, cachoeiras, geleiras e muito ar puro.

Sim, vale a pena e é um passeio para quem não quer se cansar. Ninguém desce do trem, e os passageiros apenas podem ir nas áreas externas e admirar a paisagem. Quando ele chega na fronteira com o Canadá, é hora de dar meia volta e voltar.

White Pass & Yukon Route (Foto: Trip to Follow)

White Pass & Yukon Route (Foto: Trip to Follow)

Você pode consultar as opções detalhadas nos roteiros oferecidos pelo próprio navio e também pode escolher outros passeios (bem mais baratos), mas que não envolvem essa rota de trem. Como os passeios são mais longos, recomendamos que você escolha uma das opções oferecidas pelo próprio navio.

Como chegamos cedo, tivemos tempo de caminhar pelo centro histórico que obviamente ainda é bem pequeno, com cerca de 7 ruas e mantém as características de vilarejo. Mais um lugar para quem quer fazer comprinhas, comer algo diferente do que é oferecido no navio e curtir as ruinhas de mais uma cidade do Alasca.

|Dia 6 – Icy Strait Point (6h30 às 14h30)

Icy Strait Point é um vilarejo de Hoonah localizado em uma pequena ilha do Alasca, Chichagof Island, acessível apenas de embarcação ou avião. Este é o único destino de cruzeiros privado no Alasca, propriedade da Huna Totem Corporation, e reúne aproximadamente 1350 nativos com laços indígenas.

O objetivo da corporação é preservar o caráter da vila e da cultura locais, apesar do grande fluxo de visitantes, o que consequentemente ajuda consideravelmente a economia local.

Hoonah, inclusive, significa “onde o vento do norte não sopra” na língua dos índios Tlingit. O local é perfeito para amantes da natureza. Além de ter visuais incríveis (que você pode desfrutar simplesmente caminhando por lá), a população de ursos é maior do que a população de humanos. Lá também é mais um paraíso das baleias jubarte, orcas, focas e lontras do mar.

Passeio de ATV (Foto: Trip to Follow)

Passeio de ATV (Foto: Trip to Follow)

Entre tantas opções de passeios oferecidas pelo navio, escolhemos o ATV Expedition. É praticamente um bug em que nós mesmos dirigimos e seguimos por uma estradinha de terra da ilha com grandes chances de encontrar com ursos, que infelizmente não foi nosso caso.

De qualquer forma o passeio é bonito e uma delícia para quem quer adentrar à natureza e ver visuais bonitos por dentro da floresta. No caminho, se prepare para cruzar com dezenas de cocos de urso e árvores arranhadas por eles. O passeio durou ao todo 2 horas e custou US$ 179.

Icy Strait Point (Foto: Trip to Follow)

Icy Strait Point (Foto: Trip to Follow)

Caminhar pela cidadezinha também é surpreendente. Você vai ver uma das paisagens mais lindas de toda a viagem. Essa rua principal, se é que podemos chamar assim, chama atenção por essa pedra que divide a estrada do mar.

Mas se você procura por outra atração, a sugestão é o ZipRider, que por incrível que pareça é a maior tirolesa do mundo, com 1.6 metros de extensão e 40 metros de altura. A velocidade chega a 100km/h. Como tempo fechou depois que saímos do primeiro passeio, optamos por não fazer.

O ZipRider custa US$ 140 e você pode fechar diretamente na cidade.

Se você tiver tempo, aproveite para fazer uma parada estratégica no restaurante da plataforma que leva de volta ao navio e prove o famoso King Crab, um caranguejo-real gigante famoso no Alasca. Essa iguaria pode chegar a pesar mais de 1 kg e medir 1 metro.

King Crab (Foto: Trip to Follow)

King Crab (Foto: Trip to Follow)

|Dia 7 – Ketchikan (9h às 17h30)

Como todas as outras cidades do Alasca que passamos, Ketchikan tem poucos habitantes, cerca de 9 mil. Mesmo assim, é considerada a quinta cidade mais populosa.

A cidade é conhecida por ser a capital do salmão e, acredite,  também é conhecida por abrigar a maior coleção de totens no mundo – você provavelmente vai ver alguns deles enquanto caminha por lá.

Ketchikan tem fama de ser uma das cidades mais chuvosas do mundo – chove cerca de 300 dias por ano -, mas demos muita sorte durante o passeio que escolhemos e, diga-se de passagem, um dos mais legais da viagem: hidroavião + avistamento de ursos. Foi, claro, o passeio mais caro também, US$ 391.

Hidroavião em Ketchikan (Foto: Trip to Follow)

Hidroavião em Ketchikan (Foto: Trip to Follow)

O percurso que fizemos de hidroavião é um destaque a parte. O “teco-teco” é famoso em várias cidades do Alasca, portanto fazer um passeio é imperdível. O visual foi lindo, tanto na ida quanto na volta.

Nosso avião saiu de um dos decks pertinho do centro com um total de 6 passageiros mais o piloto. Sobrevoamos a região por 20 minutos e pousamos no famoso Tongass National Park, a maior floresta nacional dos Estados Unidos, com 16,7 milhões de acres.

De lá pegamos uma van que nos levou cerca de 1km floresta adentro. Quando descemos, fomos aconselhados a fazer silêncio e caminhar em fila por aproximadamente 1.5 km. Caso algum animal selvagem aparecesse por perto, deveríamos nos manter imóveis. Mas não se preocupe, pois os guias estão atentos e preparados para caso isso aconteça.

E eles de fato apareceram, mas quando já estávamos em uma plataforma de madeira que fica próxima ao rio e vários ursos pretos estavam por lá pescando ou ensinando seus filhos a pescar. Foi a coisa mais linda que vimos e o segundo momento mais emocionante da viagem (óbvio que o primeiro foi o pedido de casamento).

Ursos no Tongass National Park (Foto: Trip to Follow)

Ursos no Tongass National Park (Foto: Trip to Follow)

Sim, vimos vários durante 1 hora de observação que parece ter passado em 10 minutos! Caçadores solitários, uma mãe com dois bebês… É indescritível.

As chances de você ver ursos no seu habitat natural quando você visita a Tongass National Forest é enorme. Isso porque a floresta possui a maior densidade de ursos negros do mundo e uma das maiores densidades de ursos marrons.

Vale destacar que existem apenas 5 “áreas seguras” em toda a floresta para a observação desses animais e só é possível chegar lá acompanhado de alguém do próprio parque.

Para voltar, mais 20 minutos de hidroavião – dessa vez com um pouco de chuva – até retornarmos ao centro de Ketchikan.

Passeio de hidroavião (Foto: Trip to Follow)

Passeio de hidroavião (Foto: Trip to Follow)

Mais uma vez o porto ficava no centrinho da cidade, então foi possível explorar o centrinho a pé. Aproveite para caminhar entre lojinhas, sentir o clima do Alasca e tomar um café com leite quentinho.

Se você tiver tempo antes ou depois do seu passeio, visite o Salmon Market e caminhe pela Creek Street, uma rua de madeira cheia de casas antigas que atualmente abrigam lojas. Ela fica sobre o riacho que corta a cidade e de lá é possível ver a luta dos peixes contra a correnteza, dependendo da época do ano. Ah! Você com certeza também verá algum pescador de salmão por lá.

Creek Street (Foto: Trip to Follow)

Creek Street (Foto: Trip to Follow)

|Dia 7 – Navegação

O último dia foi de navegação, ótimo para descansar, curtir o navio, comer, tomar chocolate quente e… ver baleias! Logo de manhã o capitão avisou que por volta das 18h passaríamos por um canal onde as chances de vermos baleia eram grandes.

Dito e feito, às 18h01, por incrível que pareça, a primeira saltou bem na lateral do navio onde escolhemos ficar (em espreguiçadeiras em uma das áreas fechadas do navio, regados a guloseimas). Tem como fechar a viagem de forma melhor?

E elas não apareceram só uma vez, mas sim 3 vezes. Além delas, também tivemos o prazer de ver dezenas de golfinhos que saltavam ao lado da embarcação.

|Dia 8 – Vancouver, Canadá

Assim que acordamos, tomamos café da manhã e desembarcamos na cidade canadense por volta das 8h. Mas daqui pra frente faremos outro post em breve com nosso roteiro por lá.

Vancouver, Canadá (Foto: Trip to Follow)

Vancouver, Canadá (Foto: Trip to Follow)

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  1. Agi Bester says:

    Adorei viajar no seu relato e as fotos também são incríveis. O filme com essa música está maravilhoso! Obrigada por esses bons momentos e felicidade pra toda vida do casal!

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