Tudo que você precisa saber antes de ir para o Jalapão

O Jalapão é bruto, mas é lindo. Desbrave a natureza da região do Tocantins em uma viagem completamente apaixonante

Bem que todo mundo fala: o Jalapão é bruto. Sim, é bruto, mas é de uma natureza tão delicada que o contraste deixa a região do Tocantins ainda mais encantadora. Por lá, estradas de terra sacolejantes  fazem com que “seu coração não bata, mas trepide”, como os próprios jalapoeiros dizem.

E você não precisa de muito tempo por lá para se sentir em casa. Cenário alaranjado, tucanos voando, calor do cerrado, cheiro de comida caseira e o “moço” substituindo o “cara” ou o “meu” na boca dos locais. Pronto, você chegou ao Jalapão.

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O Jalapão ganhou destaque entre os viajantes principalmente depois do sucesso da novela da Rede Globo, “O Outro Lado do Paraíso”, que foi ao ar em horário nobre no fim de 2017. O núcleo principal se dividia entre Palmas e o Jalapão e diversas vezes as belezas naturais ganharam destaque: fervedouros, dunas, pedra furada, montanhas planas.

 Morro do Saca Trapo, no Jalapão (Foto: Gabriel Bester)

Morro do Saca Trapo, no Jalapão (Foto: Gabriel Bester)

De fato, o enredo fez com que os apaixonados por ecoturismo despertassem ainda mais interesse pela área do cerrado que, até então, não era muito explorada e ainda muito preservada (esperamos que se mantenha assim).

O parque é famoso por guardar joias raras, também conhecidas como fervedouros, que são cercados por bananeira, tem águas azul claro e só são acessadas por aqueles que enfrentam longos caminhos com carro cheio de poeira.

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E por falar em longos caminhos, ir de uma atração para a outra no Jalapão exige paciência e corpo preparado. Você praticamente não caminha por lá, mas terá que passar horas dentro do carro, com muita areia para o alto. É aí que você se sente tão pequeno na imensidão do cerrado.

|Parque estadual

O Parque Estadual do Jalapão foi criado em janeiro de 2001 e é considerado o maior do Tocantins. Uma de suas características é a produção de artesanato de capim dourado e seda de buriti, que se tornou principal fonte de renda para as comunidades locais.

A fauna é composta por veados-campeiros (mais fáceis de serem vistos), tamanduás-bandeiras, antas, capivaras, lobos-guarás, raposas, gambás, macacos, jacarés, onças e cobras (vimos uma, mas não sabemos qual espécie).

No céu, é comum ver tucanos, papagaios, araras-azuis e urubus. Você também provavelmente vai cruzar o caminho de muitas seriemas.

Sim, a região tem muito mais animal do que humanos. A densidade populacional é de 0,8 habitantes por quilômetro quadrado.

Estradas do Jalapão (Foto: Gabriel Bester)

Estradas do Jalapão (Foto: Gabriel Bester)

|Localização

O Parque Estadual do Jalapão fica no estado do Tocantins e é formado por 9 municípios em uma área total de 34 mil km². Desses municípios, 3 fazem parte do roteiro da maioria das pessoas que visita o local: Ponte Alta, Mateiros e São Félix do Tocantins.

O Jalapão fica a cerca de 300 km de Palmas, capital do Tocantins, e bem próximo à divisa da Bahia, Maranhão e Piauí. Muita gente chega em Palmas e parte direto para expedições no cerrado, mas como já falamos aqui no Trip To Follow, vale muito a pena explorar Palmas e as regiões próximas. Veja um roteiro de 5 dias.

|O que é um fervedouro?

O nome sugere que seja um poço de água quente, mas uma coisa não tem relação com a outra (mas a água não é tão fria como a de uma cachoeira, por exemplo).

A primeira impressão que você tem ao entrar em um fervedouro é que você está entrando em uma piscina com areia movediça. Isso porque é impossível você firmar seu pé no chão. Mas ao contrário de te puxar para baixo, essa areia te empurra para cima. Sendo assim, fica impossível afundar.

Fervedouros são nascentes de rios subterrâneos que não têm espaço para vazão de água e formam essas piscinas naturais. A pressão intensa da nascente que funciona como um “furo em uma mangueira”, sai do lençol freático empurrando a areia fina que cobre o solo e faz com que as pessoas flutuem. Esse fenômeno é conhecido como ressurgência.

O Jalapão tem 32 fervedouros catalogados e é a única região no mundo que tem essa joia da natureza.

Fervedouro do Ceiça, no Jalapão (Foto: Gabriel Bester)

Fervedouro do Ceiça, no Jalapão (Foto: Gabriel Bester)

|Clima e quando ir

Prepare a garrafinha de água porque o Jalapão é quente. A temperatura média anual é de 26ºC, mas no verão o termômetro pode chegar aos 35ºC. No inverno, as manhãs e tardes são quentes, mas as noites ficam um pouco mais geladas, quando o termômetro pode descer até os 15ºC.

E assim como outras regiões brasileiras, o Jalapão é dividido em época da chuva (outubro a abril) e época da cheia (maio a setembro). Você provavelmente vai ler em muitos lugares que a época da seca é o melhor momento para visitar a região. Mas não se engane!

Nós fomos em fevereiro, época da cheia, e só tiramos proveito disso. Primeiro porque estava bem mais vazio e, consequentemente, pegamos as principais atrações em muvuca. A chuva veio esporadicamente, principalmente no fim da tarde, e não deixou os fervedouros nem as cachoeiras barrentas.

Além disso, é importa saber que na alta temporada os fervedouros ficam com filas quilométricas e, quando chega sua vez, você tem de 15 a 20 minutos para curtir. No nosso caso, pudemos ficar mais de uma hora no fervedouro Bela Vista, um dos mais novos e mais disputados do Jalapão.

Nós raramente viajamos com uma agência, mas para o Jalapão foi literalmente uma mão na roda. Não nos arrependemos.

Pedra Furada, no Jalapão (Foto: Gabriel Bester)

Pedra Furada, no Jalapão (Foto: Gabriel Bester)

|Como chegar

Não tem avião que te leve até para. Por isso, para conhecer as belezas do Jalapão é necessário enfrentar quilômetros e mais quilômetros de estrada – te terra principalmente! E é exatamente isso que deixa o Jalapão “bruto”.

Mas vamos lá. O aeroporto de Palmas costuma ser o principal ponto de desembarque para quem tem como destino final o Jalapão. Se você parte de São Paulo, como nós, Goiânia ou Brasília, provavelmente vai encontrar voos diretos e com valores que partem de R$ 500 (fique de olho em promoções).

Daí em diante e só enfrentar as estradas. Se você optar por uma agência – como fizemos e recomendamos -, o guia vai te buscar no seu hotel de Palmas ou até mesmo no aeroporto.

Ponte Alta fica a 190 km de Palmas, enquanto Mateiros fica a aproximadamente 320 e São Félix do Tocantins a 230 km. Entre as cidades, a distância também é longa e não é por acaso que durante todo o circuito de 4 dias você vai rodar cerca de 1800 km.

Para se locomover lá é altamente recomendável um veículo 4×4.

Serra da Catedral, no Jalapão (Foto: Gabriel Bester)

Serra da Catedral, no Jalapão (Foto: Gabriel Bester)

|As expedições

São muitas as empresas que fazem expedições para o Jalapão. Há muito o que ver por ali e por isso é importantíssimo escolher aquela que tem um roteiro que cumpre suas expectativas. Escolhemos a Jalapão 360 e, sem dúvidas, foi a melhor escolha.

Por quê? As expedições no Jalapão funcionam como se fosse um circuito, ou seja, você começa em um dos munícios e termina em outro. Na maioria das vezes as empresas optam por começar por Ponte Alta, terminando em São Félix do Tocantins. Com a Jalapão 360 o caminho é o oposto, o que evita lugares tão cheios. Isso fez toda a diferença, acredite.

Cachoeira da Formiga, no Jalapão (Foto: Tati Sisti)

Cachoeira da Formiga, no Jalapão (Foto: Tati Sisti)

O roteiro é redondinho e passa pelas principais atrações. Com guias preparados, imprevistos ou alteração no clima não são problemas. Todo o roteiro é repensado se necessário.

Não se preocupar com as longas estradas ou com o caminho (a maioria deles não tem indicações) é outro grande benefício em fazer uma expedição com uma agência.

“Mas dá para fazer por conta?”. Dá, sempre dá! Talvez você não consiga otimizar tanto seu tempo e fique mais cansado por ter que dirigir por estradas complicadas por tanto tempo. Mas nada impede você se programar para isso. Nenhuma das atrações exige a presença de um guia local, mas tenha em mente que é ultra recomendado que você rode por lá com um carro 4×4.

Caverna na Lagoa do Japonês, no Jalapão (Foto: Gabriel Bester)

Caverna na Lagoa do Japonês, no Jalapão (Foto: Gabriel Bester)

|Hospedagem e alimentação

Se você fizer como nós e ir para o Jalapão com a Jalapão 360, não vai precisar se preocupar com hospedagem porque todas as pousadas já estão inclusas e reservadas no valor final. Nós passamos duas noites em Mateiros e uma em Ponte Alta em duas pousadas bem bonitinhas, simples, rústicas (e com chuveiro quentinho).

A primeira delas, em Mateiros foi a Pousada Panela de Ferro, onde também se hospedaram os atores da Globo durante as gravações da novela. A outra, em Ponte Alta, foi a Águas do Jalapão, bem grande e com uma comida deliciosa.

As duas tinham Wi-Fi grátis. O sinal não é muito forte, mas dá perfeitamente para navegar um pouco pelas redes sociais.

Assim como a hospedagem, as refeições também estão no pacote. Isso porque a maioria dos restaurantes pede que você agende o horário do almoço ou do jantar com antecedência. Nós comemos na pousada, em restaurantes próximos e algumas vezes dentro dos restaurantes das atrações.

As comidas são simples, caseiras, com muita carne de sol, galinha caipira, arroz e feijão. Tudo preparado na maioria das vezes em forno a lenha e com um tempero suave e bem gostoso.

Caso você não viaje com agência, lembre-se de programar tanto hospedagem quanto as refeições para não correr o risco de ficar sem.

Cânion do Sussuapara, no Jalapão (Foto: Gabriel Bester)

Cânion do Sussuapara, no Jalapão (Foto: Gabriel Bester)

|Mala

Quem viu nossas fotos no Instagram (@triptofollow) se questionou e nos questionou sobre roupas. Em muitas das fotos eu apareço de vestidos leves, que “combinam” com o visual. Sim, foi caso pensado.

A verdade é que, apesar das longas distâncias entre uma atração e outra, se caminha muito pouco no Jalapão. Por isso, dá até para caprichar no look se você quiser uma foto mais bem pensada.

Você vai usar muito maiô e biquíni por conta dos fervedouros e das cachoeiras, mas em todos os lugares há onde se trocar para evitar ficar com a roupa molhada. Dessa forma, você já consegue pensar no que usar para a próxima parada.

Com isso, roupa de banho, shorts, camisetas, vestidinhos e chinelo serão seus melhores companheiros. Roupas leves, sapatos confortáveis. Se você pensa em fazer alguma trilha, como a Serra do Espírito Santo para ver o sol nascer, lembre-se de levar um tênis ou uma botinha de caminhada. Além disso você não vai usá-lo outra vez.

Claro que quem vai por conta e busca por trilhas e caminhadas, o conselho muda. Mas se você quer fazer o “tradicional”, pode apostar na dica acima.

Cachoeira da Formiga, no Jalapão (Foto: Trip To Follow)

Cachoeira da Formiga, no Jalapão (Foto: Trip To Follow)

Muitas agências pedem para que você não leve mala de rodinha, mas na Jalapão 360 isso não é um problema. Sua mala vai com você todo tempo, no porta-malas, e em nenhum momento você terá que arrastá-la por longas distâncias.

Ah! Não esqueça protetor solar, repelente, hidratante, chapéu, seu próprio equipamento de snorkeling e seus apetrechos fotográficos. Vale lembrar que alguns fervedouros não permitem que você use protetor solar (há sempre um chuveiro do lado de fora se for necessário).

|Preços

A principal dica é ficar de olho nas passagens aéreas para Palmas. É possível encontrar algumas promoções nas principais companhias aéreas.

– Passagem aérea ida e volta saindo de São Paulo: a partir de R$ 300
– Hotel em Palmas: a partir de R$ 240 o casal (recomendamos o CEU Palace Hotel)
– Pacote de 4 dias: Quarto duplo ou triplo R$ 1.990,00 / Quarto individual 300,00 + no valor
– Dia extra Lagoa do Japonês (saindo de Palmas): R$ 950 por pessoa
– Subida à Serra do Espírito Santo (não inclusa no roteiro da Jalapão 360): R$ 150
– Dinheiro para a expedição: R$ 200 (para bebidas ou alguma atração extra)
– Alimentação (se não inclusa): cerca de R$ 30
– Fervedouros e cachoeiras (se não inclusas): entre R$ 10 e R$ 20
– Hospedagem (se não inclusa): a partir de R$ 100 para duas pessoas
– Aluguel de carro 4×4 (se viagem por conta): R$ 600 a diária + combustível

A Jalapão360 tem roteiros de 1, 2, 3, 4, 5 ou 6 dias. Consulte os roteiros no site e peça um orçamento ou envie um WhatsApp para o Higor +55 6399445373

Fervedouro Bela Vista, no Jalapão (Foto: Trip To Follow)

Fervedouro Bela Vista, no Jalapão (Foto: Trip To Follow)

No Mochileitos.com você encontra 10 coisas imperdíveis para fazer no Jalapão.

|Dicas

  • Não comprem passagem aérea antes de saber se tem vagas junto as agências
  •  Vá mesmo que você só tenha 3 dias
  •  Não deixe a Lagoa do Japonês de fora (muitas agências não incluem no roteiro)
  • Compre artesanato de capim dourado, uma das maiores riquezas naturais da região
  • O repelente vai ser seu melhor amigo (principalmente nas dunas)
  • Os fervedouros ficam mais vazios nas épocas de chuvas
  • Vá com guia e aceite as alterações necessárias no roteiro para otimizar sua viagem
  • Leve dinheiro em espécie. Poucos lugares aceitam cartão

* O Trip To Follow conheceu o Jalapão com o apoio da Jalapão 360

 

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