América do Sul

Paraíso dos Pândavas: refúgio na Chapada dos Veadeiros

Ir para a Chapada dos Veadeiros já significa fugir do estresse do dia a dia, mas escolher a localização para se hospedar também ajuda muito

Logo que decidi ir para a Chapada dos Veadeiros, em Goiás, sabia que queria experimentar cada extremo que a região oferece. Por isso, para entender um pouco dessa energia espiritual, comecei a viagem pelo Paraíso dos Pândavas Yoga Resort, que pega carona também na fama mística e esotérica das redondezas de Alto Paraíso.

Ir para a Chapada dos Veadeiros já significa fugir do estresse do dia a dia, mas escolher a localização para se hospedar também ajuda muito. O Paraíso dos Pândavas Yoga Resort fica no meio da estrada que liga Alto Paraíso e Vila de São Jorge e foi nossa primeira parada. Após andar aproximadamente 3 km de terra cerrado adentro, fomos muito bem recebidos pelo dono do local, Giridhari Das.

Paraíso dos Pândavas (Foto: Tati Sisti)

Paraíso dos Pândavas (Foto: Tati Sisti)

Nascido em Praga, Tchecoslováquia, Das trocou a carreira de economista para criar o resort após um pedido de seu mestre espiritual, em 1996. Hoje ele administra o local na companhia da esposa, Carana Renu, uma astrofísica do País de Gales, com quem tem dois filhos (fofos!).

SERVIÇO
Paraíso dos Pândavas

Endereço: Rodovia GO 239, s/n – Zona Rural, Alto Paraíso de Goiás
Site:  www.pandavas.org.br
Telefone: (61) 9108-2009
E-mail: gd@pandavas.org.br
Preço: sob consulta. Pode variar de acordo com a época do ano e a disponibilidade dos chalés

Com o nome apropriado para esse fim (Pandava são os cinco filhos reconhecidos de Pandu – filho de Ambalika -, de suas duas esposas Kunti e Madri), o Paraíso dos Pândavas foi fundado há 10 anos com o objetivo de compartilhar a vida e a ‘auto realização em yoga’, ou consciência de Krishna.

Inicialmente, abriu as portas apenas para retiros espirituais e, há 3 anos, passou a receber hóspedes diariamente em seus chalés. “Não queremos trazer nenhum impacto ao ecossistema e também queremos que as pessoas tenham uma experiência única, encontrem a si, descubram seu eu e tenham uma relação íntima com a natureza”, detalhou Giridhari.

Paraíso dos Pândavas (Foto: Tati Sisti)

Paraíso dos Pândavas (Foto: Tati Sisti)

Os 400 hectares – área equivalente a 507 campos de futebol – do Paraíso dos Pândavas traduzem perfeitamente a palavra “paraíso”. Eles abrigam até 24 hóspedes de cada vez, no meio de um cerrado incrível, 3 cachoeiras, um mirante, uma piscina natural e uma vista privilegiada do Morro da Baleia. Dá para imaginar como é o contato com a natureza, né? Isso sem mencionar, claro, energia renovadora, paz e tranquilidade.

O local oferece a oportunidade de ter um pouco de contato com a cultura milenar da yoga da devoção, o canto de mantras, técnicas de meditação, as deliciosas refeições da culinária natural e a filosofia Hare Krishna. “Aqui é um espaço especial. É o ponto mais alto entre Alto Paraíso e São Jorge. Estamos no topo, temos uma natureza maravilhosa e, claro, uma energia especial que a própria Chapada dos Veadeiros nos oferece sem algum esforço”, detalhou.

“O cerrado aqui é preservado. Ele é frágil, delicado e não suporta interação com nada. Em 2015 tivemos uma queimada violenta aqui, mas faz parte e acaba fazendo bem para o cerrado. Não podemos interferir” disse.

Paraíso dos Pândavas (Foto: Tati Sisti)

Paraíso dos Pândavas (Foto: Tati Sisti)

Quem se hospeda por lá tem direito a pensão completa – café da manhã, almoço e jantar -, com pratos vegetarianos e maravilhosos. Os temperos são colhidos lá e os outros alimentos são comprados de produtores pequenos da região. Tudo o que se come cru é orgânico. A comida é preparada por funcionários devotos a cultura Hare Krishna e que trabalham lá para estudar, se desenvolver e que, como antigamente, têm a intenção e o foco dos monges, mas com o respaldo do mundo material.

Aliás, leve tudo isso em consideração na hora de procurar uma hospedagem. A pensão completa, as atividades oferecidas e o visual não deixam o preço da estadia tão salgado. O custo-benefício é bom, vale a pena!

Paraíso dos Pândavas (Foto: Tati Sisti)

Paraíso dos Pândavas (Foto: Tati Sisti)

|Nossa estadia

Nossa estadia foi uma delícia. Apesar de seguir ideias Hare Krishna, a fazenda está longe de ser apenas para religiosos. Aliás, ioga – e paraíso – é para todos e não tem a ver com religião, certo? Algumas ‘regras’ são sugeridas, mas não impostas. É aconselhável não beber (nem aquele vinhozinho gostoso a noite, no quarto), não fumar e o wi-fi funciona apenas na sede do resort.

Os chalés são simples, sem luxo, rústicos, sem TV, mas completamente agradáveis, com chuveiro quente, cama gostosa, água na jarra e livro Hare Krishna. Fiquei apegada ao meu, uma casinha de dois andares dividida em dois quartos e uma sala da massagem.

Durante nossa estadia, ficamos um tempo sem vizinhos e, quando chegávamos a noite, curtíamos o céu completamente estrelado ao som da natureza. A Via Láctea pode ser vista a olho nu, assim como alguns planetas e outras constelações. Os chalés são isolados uns dos outros, então você praticamente não escuta barulho, não vê luzes e não encontra com ninguém.

Paraíso dos Pândavas (Foto: Tati Sisti)

Paraíso dos Pândavas (Foto: Tati Sisti)

Apesar das atividades não serem obrigatórioas, aconselho seguir parte do ‘roteiro’ sugerido pelo resort. O dia começa cedo… cedíssimo, diga-se de passagem. Às 6h45, antes do café da manhã, somos convidados a participar do Kirtan – canto de mantra – junto aos funcionários, seguido do Japa – prática de meditação mântrica – , às 7h00. Bom, essa é uma parte bem difícil para mim.

Apesar de disponibilizarem japamalas (colar de devoção espiritual, conhecido também como rosário de orações no ocidente, que nos guiam durante a meditação) e orientarem a forma correta para meditação, é extremamente difícil ter o controle da mente.

Após isso, iniciamos uma aula de ioga – puxada, principalmente para quem anda afastado dos exercícios -, às 7h20. Aí sim o café da manhã é servido, às 8h45. Tudo acontece no mesmo local, no Templo de vivências – onde sempre deixamos nossos sapatos do lado de fora e tem cheirinho de incenso -, que fica na sede do resort. O lugar é tranquilo, decorado com um pequeno altar e pedras. A energia é ótima.

Paraíso dos Pândavas (Foto: Tati Sisti)

Paraíso dos Pândavas (Foto: Tati Sisti)

Às 18h30, antes do jantar, acontece o Ritual de Bhakti Yoga (aratik) e o Kirtan novamente. Às 19h00, acontece a Filosofia do Yoga, uma aula e um bate papo com Giridhari, onde diversos temas são abordados.

É nesse momento que também temos a oportunidade de entender um pouco melhor as crenças Hare Krishna e ‘filosofar’ sobre o sentido do vida, o crescimento pessoal e olhar o mundo e a si mesmo de “fora para dentro”, como diz repetidamente Guridhari. O bate-papo e uma delícia, não deixe de ir.

Paraíso dos Pândavas (Foto: Tati Sisti)

Paraíso dos Pândavas (Foto: Tati Sisti)

O jantar é servido às 19h45, o cardápio é de babar e quase me convenceu que é muito bom virar vegetariana (pena que na minha casa não tem alguém tão criativo e tão bom na culinária quanto as pessoas de lá). Eles servem pratos de todos os tipos: chineses, japoneses, italianos, brasileiro – incluindo até feijoada! Guarde um espacinho para os doces, um mais gostoso do que o outro.

Paraíso dos Pândavas (Foto: Tati Sisti)

Paraíso dos Pândavas (Foto: Tati Sisti)

Durante nossa estadia, pudemos experimentar o chamado ‘turismo de experiência’, detalhado por Giridhari como um “roteiro de sensações para o hóspede”, partindo da aprendizagem com as asanas do ioga, além, claro, da meditação mântrica, combinada com esportes e passeios de aventura.

Como já tínhamos pré-roteirizado nossa visita à Chapada dos Veadeiros, nos dedicamos a fazer a programação da sede pela manhã e logo partir para as cachoeiras da região (o almoço é servido às 13h30).

Paraíso dos Pândavas (Foto: Tati Sisti)

Paraíso dos Pândavas (Foto: Tati Sisti)

De qualquer forma, o resort abriga 3 cachoeiras que obviamente incluímos em nosso roteiro. Fomos em duas delas e, pode anotar: merecem a visita. Acompanhados de um dos funcionários do resort, partimos sentido à primeira cachoeira, batizada informalmente como “Primeira”. A trilha é bem tranquila até 2/3 do caminho, quando temos que enfrentar umas escadas improvisadas no meio da montanha. Nada muito complicado, só é preciso cuidado nas partes mais íngremes.

O caminho todo dura cerca de 40 minutos e já é muito bonito, mas chegar na cachoeira e dar um mergulho na água gelada é recompensador. Fomos em um grupo de cerca de 6 pessoas e ficamos aproximadamente 1 hora por lá, antes de partir para a “segunda”. As duas têm uma queda pequena, mas um poço grande e com água verde esmeralda perfeito para banho.

Paraíso dos Pândavas (Foto: Divulgação)

Paraíso dos Pândavas (Foto: Divulgação)

Em seguida, caminhamos mais cerca de 20 minutos, cruzamos algumas pedras e partes estreitas do rios e mais um mergulho. Energia renovada por mais uma hora e, então, é hora de fazer o caminho da volta. Quando saímos estava nublado e com uma leve garoa, mas no retorno, o céu abriu, o sol apareceu e o passeio ficou ainda mais encantador.

Paraíso dos Pândavas também tem um mirante, com uma trilha simples, e uma piscina natural.

Paraíso dos Pândavas (Foto: Divulgação)

Paraíso dos Pândavas (Foto: Divulgação)

|Sobre os retiros

Os retiros espirituais são organizados nos feriados. “Os grupos vêm do Brasil inteiro, juntos, e entendem essa energia, esse aprofundamento. É uma muito forte, muito boa”, explicou.

Eles normalmente ocorrem uma vez por mês, em datas previamente agendadas –, as diárias nos chalés variam de R$ 89 a R$ 199, com todas as refeições e atividades preparadas pelos próprios funcionários. Veja mais informações e agenda dos próximos retiros aqui.

Paraíso dos Pândavas (Foto: Divulgação)

Paraíso dos Pândavas (Foto: Divulgação)

 

 

Tags:  

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

You may use these HTML tags and attributes:

<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>